Canto do Ponto

Olá,

Muitas são as lembranças da minha infância, mas uma delas especificamente é a da máquina de costura de minha mãe.

Era mágica! Dela surgiam coisas maravilhosas a partir de um pedaço de tecido e retalhos.

Minha avó era igualmente fada, transformava retalhos em bonecas. Lembro-me da sua maneira de costurá-las à mão e o mais mágico: Não usava enchimentos! Fazia dobras no tecido que ia transformando em vida. Adorava as bonecas da minha avó.

Um dia resolvi fazer minha própria boneca e costurei a Maria. Horrorosa! Mas… minha! Lamento não tê-la guardado. Esta ficou apenas na minha lembrança… Porém, o gosto em criar manteve-se presente, quase que como uma necessidade.

Agora adulta consigo produzir o que minha mente cheia de lembranças da infância é capaz de criar… bom… chega de conversa e vamos costurar, pintar, criar… Quer vir nesta viagem comigo?

Aproveite a estadia!

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Transformar

Borboleta parece flor
Que o vento tirou pra dançar
Flor parece a gente
Pois somos semente do que ainda virá

(Teatro Mágico)

borboleta4As borboletas são símbolo de transformação e de renovação. Enquanto lagartas, devoram tudo o que podem, a fim de armazenarem energia e passarem pela fase de crisálida, onde permanecerão algum tempo apenas aguardando a transformação.

Ao olhar as borboletas, penso numa história linda e antiga sobre um homem chamado Bartimeu. A história conta que era cego e mendigo e usava uma capa, talvez para esconder sua vergonha, ou para proteger-se de um mundo de sombras. No entanto, a capa de Bartimeu era apenas um estágio de crisálida. Ele seria transformado. borboleta3

Ele está no caminho em que Jesus passa seguido por uma multidão. Sempre era uma multidão que o seguia, por que oferecia ao povo carinho e boas palavras. Tinha o poder transformador, poder de arrancar borboletas livres e belas aprisionadas no casulo.

(Dizem que as borboletas se esforçam para saírem do casulo e que este esforço é fundamental para suas asas).

borboleta2Volto para a história de Bartimeu: Em meio à multidão, ele grita o mais alto que pode. Não posso dimensionar tal esforço. Posso apenas supor que Bartimeu era um homem à margem da sociedade, com todas as implicações disto. Talvez rejeitado, sozinho, sem perspectivas de futuro. Entretanto, ainda lhe restava a esperança. Queria e precisava ser ouvido. Ele ousa, grita e Jesus o ouve. Diz a história que as pessoas ao redor disseram a Bartimeu: “Fique a animado. Jesus te chama! “.

Bartimeu joga longe sua capa. A capa que marcava sua trajetória, a crisálida que e o aprisionava e vai até Jesus de mãos vazias, ainda sem poder ver, contudo, de coração aberto e alma esperançosa. Deixa para trás todo o estigma e se lança para uma nova vida.

O resultado é evidente. Não há como encontrar-se com Jesus e manter-se o mesmo. Seu poder transformador é eficaz e nos atrai.

Bartimeu é curado. A partir dali ele pode voar.borboleta1

Olho para meu dia a dia e penso nas capas que carrego, nas crisálidas que me aprisionam o no quanto é possível me transformar. Por mais aprisionada que possa estar em meus medos, ansiedades, memórias e escolhas, todos os dias recebo a chance de escrever uma nova história, fazendo novas escolhas, buscando me libertar do que era, para descobrir o que posso ser.

A vida é feita de coisas boas e ruins. Momentos em que me sinto tão pequena que quero ficar envolta em armadura, num canto protegido. Mas, sei que são tempos assim que me fortalecem, porque meu ser está sendo moldado. Então fortalecida, posso rasgar o casulo para finalmente voar. Não se trata de reviver, trata-se de permitir-se mudar.

A borboleta é de fato símbolo de transformação e do renovar, apresento minha nova pintura: “Borboletando” – óleo sobre tela (estou ainda nos meu primeiros passos), pensando de todo meu coração:

Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto (Salmo 51.10).

borboleta5

 

Argila em Oração

argila em oracao

A arte tem poder de cura. Ao produzir, o artista desconstrói a obra em sua mente para só então criar, e o que determina o processo de criação é o material que será usado.

Dia desses resolvi utilizar a argila como ferramenta de criação. Já havia usado como instrumento educacional, mas a experiência de criar uma peça eu ainda não tinha vivido.

Este é um material amplamente utilizado para terapias. Entendi porque. A textura, a temperatura, a resposta às mãos, levaram-me à sensações especiais. Planejei um objeto, mas ao colocar a massa na mesa, ela mesma já tomou a forma que de fato deveria ter.

Enquanto amassava, moldava, criava, minha mente explorava lugares esquecidos da minha alma.

Lembrei-me então de uma frase bíblica que diz: “Confessai, portanto, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. A súplica de um justo pode muito na sua atuação”. (Tiago 5.16)

Confessar pecados? Como posso abrir-me para as pessoas e confessar meus pecados? Fácil o exercício quando falamos do nosso maior amigo que é Deus. Confessar a ele nossos pecados nos ajuda a caminhar, mas confessar a outros?

Encontrei numa pesquisa rápida na internet o significado de confessar e entre tantas os sinônimos: dar-se e confiar. Levou-me à reflexão de que confessar meus pecados ou minhas falhas, meus defeitos a alguém, será uma ação de doação e confiança. É claro que não vou sair por aí contando meus defeitos para as pessoas, mas existem aquelas em quem realmente podemos confiar ou seja, família, e o pequeno e seleto grupo de amigos. Encontrei pela vida alguns deles, que mesmo quando confessei pecados e erros, fui acolhida com carinho. Amigos que são capazes de dizer: não importa o que você está passando, estou com você. Não importam suas fraquezas te amo simplesmente porque amo. Tive muitas decepções também, mas o que conta mesmo é que, quando encontramos um amigo verdadeiro e podemos contar sobre nós sem máscaras, o carinho recebido depois é curativo.

Enquanto esculpia na argila um ser sem rosto, mãos enormes e de joelhos em oração, desejei ser alguém assim: que acolha, que ouça, que seja confiável e que acima de tudo interceda para que o outro seja curado. O caminho para isso é o exercício tanto para a intercessão, quanto para a amizade. E a argila? Ah! Esta é apenas a minha primeira obra.

Chapéu Mágico

Mais um chapéu para minha coleção. Uso este recurso na contação de histórias.

Esse é bem querido, principalmente porque foi feito por mim desde o tingimento dos tecidos em tie dye.

Nas cores do Livro Sem Palavras mais um Chapéu Mágico para levar história, imaginação e alegria à crianças e adultos.

Bem-vindo meu amigo.

Chapéu Mágico

 

Te desejo todas as cores

Tie Dye é pura poesia… tem vida própria.

O resultado surpreende e alegra.

Segue um pouquinho de Tie Dye do Canto do Ponto temperado com Carlos Drummond de Andrade:

“Para você, desejo o sonho realizado.

O amor esperado.

A esperança renovada.

Para você, desejo todas as cores desta vida.

Todas as alegrias que puder sorrir.

Todas as músicas que puder emocionar.

Desejo que os amigos sejam mais cúmplices,

que sua família esteja mais unida,

que sua vida seja mais bem vivida.

Gostaria de lhe desejar tantas coisas.

Mas nada seria suficiente…

Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.

Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo da sua felicidade”

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Peixe

Outro dia amanheci bem cansada. Corpo dolorido, mente vagarosa. Até meus cabelos pareciam doer. Meu marido chegou para almoçar e me aconchegou. Carinho bom que remedia.

Mais tarde, antes de voltar para o trabalho me disse: Hoje você descansa. Não faça nada!

Assim que saiu tive uma ideia ótima: Quem nada é peixe.

E fiz uma almofada macia e colorida.

Daí me deparo com um texto de Cora Coralina… emudeci.

Meu Destino.

Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.

Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.

Não te procurei, não me procurastes –
íamos sozinhos por estradas diferentes.

Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida…

Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.

Esse dia foi marcado
com a pedra branca da cabeça de um peixe.

E, desde então, caminhamos
juntos pela vida…

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