Fui adotada por um passarinho

Tiquinho

Na semana retrasada estive em Salto para ver alguns imóveis – tenho muita vontade de me mudar para o interior, vontade compartilhada com minha família. Pois bem, paramos numa loja de animais a pedido da minha mãe. Incrível!!!! Lá estava o Tiquinho. Cabeça baixa, olhos tristes, pescoço pelado… eu diria que, um passarinho que de tão feio me encantou.

Durante o tempo que ficamos na loja eu não conseguia parar de olha-lo. Parecia olhar para mim pedindo socorro. Falei para meu marido do meu desejo de compra-lo, mas não fui ouvida prontamente, pelo contrário:

– Sério???? Tem certeza??? Não quero passarinho agora.

Mas o Tiquinho continuava olhando para mim. Perguntei à vendedora porque ele era tão pelado e feio, ao que me respondeu:

– “Ah! Ele é novinho”.

Resultado: saímos da loja sem o Tiquinho e eu sem um pedaço do meu coração.

Quando chegamos em Itu, cidade da minha mãe, meu marido sentiu-se incomodado por ter recusado a adoção do Tiquinho (que confusão! Quem adotou quem???)…. Bem, mas não havia tempo. Era domingo e a loja já havia fechado. Voltaríamos para São Paulo poucas horas mais tarde e fim da história.

Entretanto, Tiquinho não saiu da minha cabeça.

Logo na segunda feira pela manhã, liguei para minha mãe pedindo que fosse busca-lo. Ela comprou a gaiola e deixou tudo arrumadinho para a chegada do novo morador. E me ligou perguntando se eu não queria comprar um periquito em qualquer loja, porém, não servia qualquer um tinha que ser o Tiquinho…

Na quinta feira pela manhã meus pais voltaram para Salto em busca do meu amigo. Nem saberiam como encontra-lo porque teoricamente passados alguns dias as penas já teriam crescido, portanto estaria diferente. Mas, em toda a minha vida vi meus pais terem atitudes como essa – eles são o máximo! – Não sabiam se encontrariam o Tiquinho, porém, eles tentaram, principalmente por mim.

Quando chegaram à loja encontraram o Tiquinho ainda mais pelado e doente. A dona da loja recusou a venda dizendo que o pássaro iria morrer. Podia vender outros periquitos, mas não aquele que estava condenado. Minha mãe saiu da loja e no caminho de volta para casa me ligou. Pedi a ela que insistisse. Era o Tiquinho que eu queria, mesmo que morresse não havia problema, eu precisava adota-lo. Voltando a loja, minha mãe insistiu na compra. A vendedora disse que o irmão do Tiquinho era quem cuidava dele por estar fraco demais. Compramos então os dois.

Tudo certo. Assim que chegaram em Itu, os dois irmãos juntos foram colocados na nova casa. Mas, qual não foi a surpresa! Era o irmão que agredia o Tiquinho. Claro que só alguém com olhar clínico para animais como minha mãe poderia descobrir isso.

Primeiramente era só uma desconfiança, mas ouvindo sua intuição, minha mãe sentou-se de frente para a gaiola e esperou, esperou, esperou. Até que desvendou o mistério. Viu a agressão e teve a prova que precisava: o agressor era o irmão.

Foram imediatamente separados. Tiquinho assim que se viu livre do agressor começou a comer e ficar mais forte.

Já se passaram duas semanas e hoje ele está comigo. Quero muito que ele seja feliz por aqui. Pretendo treina-lo para viver solto aqui em casa sem, contudo cortar-lhe as asas. Por nascer em cativeiro, sei que suas chances de vida na natureza são bem pequenas. Mas espero poder ajuda-lo a ser feliz.

Meu coração se enche de alegria porque agora existe uma grande expectativa de vida para o Tiquinho.

A experiência é ótima! Fui de fato adotada por um passarinho.

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2 respostas para “Fui adotada por um passarinho”

  1. Que história maravilhosa!
    É a cara da família mesmo….
    Parabéns para vocês e boa sorte para o Tiquinho…
    Beijos,
    Mônica

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