Eu, aos quarenta e um

De vez em quando olho-me no espelho e procuro a mulher que eu era aos vinte anos. Tem dias que encontro, tem dias que não.

Meu corpo já não é mais o mesmo. Gerei dois filhos e amamentei-os. A mais nova até os dois anos. Estar comigo era importante para ela. Grudava em mim aproveitando a companhia o máximo que podia. Na época eu já era regente de corais. Eu a amamentava antes, mas, de vez em quando no meio do ensaio surgia uma pausa porque solicitava minha presença. Apesar disso é independente e decidida. Minha presença em sua vida é importante, porém, tem clareza do que quer e quando quer.  O mais velho aos 10 meses decidiu por conta própria que não queria mais ser amamentado por mim.  Numa manhã olhou-me e fez que não com a cabecinha. Era o tempo dele, tinha coisas mais importantes para viver, para descobrir. De vez em quando, nem percebo que cresceu e lhe ofereço ajuda em algo, olha para mim e diz: “Não mãe. Isso não quero mais”. E vai descobrindo seu caminho e fazendo sua história.

E a história dos meus filhos se mistura, se confunde, se funde na minha. Talvez por isso é que só de vez em quando que encontro a mulher que eu era aos vinte anos.

Engordei bastante nos últimos anos. Dez quilos acima do meu peso e o corpo não entende a pressa que minha mente tem em querer emagrecer… é aí que não me encontro aos vinte anos… Entretanto, quando tais pensamentos invadem minha mente, lembro-me do quanto sou feliz independente do meu peso ou das marcas e rugas que adquiri na vida.

Engraçado como nossas prioridades mudam com o tempo. Lembro-me de quando era adolescente e me entristecia o fato de ser muito branca. Envergonhava-me em usar bermudas e regatas… olhava e nada via de especial, pelo contrário, só via minha cor. Um dia um amigo negro me disse o quanto sofria por causa do preconceito. Olhei para ele sorrindo e disse: “e você acha que eu não?” Outro dia fiz um teste com uma amiga professora: Ela, professora de artes me falava da importância da cultura afro, o assunto claro, levou-nos inevitavelmente a relatos de sua própria experiência por ser negra. Eu ouvi atentamente já me preparando para o desfecho de nossa conversa. Depois que terminou, levantei a barra da minha calça e aproximei minha perna da dela. Ao que ela reagiu: “Credo! Como você é branca!”.

Ouvi alguém dizer que para saber a idade de alguém é só olhar para suas mãos. Puxa vida! Acho que tenho mais de quarenta e um! Minhas mãos estão enrugadas e manchadas. Tem também algumas cicatrizes… cada uma com sua história. Mas quanta produção! Não produzia aos vinte nem metade do que produzo hoje. Foram as minhas mãos que cozinharam para minha família, foram minhas mãos que lavaram suas roupas, que limparam a casa, mas também as mesmas mãos que tocam um instrumento (ou vários), mãos que regeram tantos corais, as mesmas que acariciam aqueles a quem amo, que me permitem viver sem dificuldades. Definitivamente não quero ter as mãos que eu tinha aos vinte anos.

Ontem pintei meus cabelos.

Já pinto há muitos anos, mas, confesso que essa decisão foi tomada depois de muita reflexão. Tenho mais de quarenta… cabelos brancos, rugas no rosto. Já vivi um bocado e ao mesmo tempo tão pouco! Mas gosto de mim assim como estou. Estou feliz comigo e com as marcas que o tempo gravou, com as cicatrizes que a vida tatuou em mim. Os cabelos brancos são uma parte disto… Queria muito deixar de pintá-los, mantê-los naturais… só que não consegui. Rendi-me a apelos do tipo: “Não deixe de pintar! Seus cabelos vermelhos são a sua marca”. E hoje, com o sol brilhando em São Paulo, de cabelos pintados, ao buscar meus filhos na escola, quando o mais velho saía da sala de aula olhou para mim sorrindo: “Agora sim, mãe, te reconheço de longe”.

Gostaria muito que todas as mulheres pudessem compreender estas pequenas particularidades da vida. A ditadura da moda não pode nos engolir. Não podemos perder o melhor que temos: nossa individualidade.

Nossa história está tatuada em nosso corpo naturalmente. E nossa história, mesmo aqueles momentos difíceis da vida como um divórcio – quanta dor e sofrimento uma separação causa – está gravada na nossa alma, guardada em algum canto da nossa mente, talvez no “quarto do mistério” como diz Rubem Alves.

Mas a vida renasce a cada dia. O sol todas as manhãs nasce, e Deus renova suas misericórdias. E a gente encontra algo que nos faz rejuvenescer, como um novo amor, sem perder a clareza de que mesmo muito se renovando não dá para esconder embaixo do tapete ou no esquecimento o que ficou para trás.

É! Sigo assim então… aos quarenta e um anos, feliz da vida e de cabelos vermelhos.

Carpe diem

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Tiquinha

Lembra do Tiquinho? Contei como ele veio morar em nossa casa:

“Fui adotada por um passarinho“,

e dei notícias sobre ele:
“As peninhas do Tiquinho“.

Recentemente Tiquinho passou por exames e além das medicações necessárias, o exame de dna foi feito e descobrimos que Tiquinho na verdade é Tiquinha.

É claro que eu já imaginava. Ela é mandona, tagarela, temperamental, quer cuidar da vida de todo mundo, ciumenta, mas muito doce. Só podia ser fêmea!

Fica solta, porém, só sai da gaiola quando quer. Fica empuleirada na porta da gaiola e de lá ela vê o movimento da casa e consegue “ter controle” de tudo o que acontece.  Se extressa quando sentamos em família e não lhe damos atenção. Quando falo ao telefone resolve que quer participar da conversa e grita feito uma maluca! Essa é a Tiquinha.

Noutro dia, ela saiu da gaiola e foi visitar o Holly. Ele gosta dela e até já presenciei uns beijinhos. Mas ela passou dos limites. Quando ele abaixou a cabeça para receber um carinho, ela o bicou. Ah! Sem dúvida alguma Holly deu-lhe um tapa e segurou-a embaixo da pata. Ela gritou e esperneou… ainda bem que eu estava presente para salvá-la. O resultado é que não posso deixá-la com ele mais, não sei o que pode acontecer.

Em visita, minha mãe comentou o quanto Tiquinha é suja. O rabo então, tem dias que fica preto! Mas o fato é que ela gosta de um vaso sem plantas de fibra de coco que ela gosta tanto que resolvi deixar vazio. Lá ela brinca e rola na terra, bica o vaso e vigia a casa…

Tinquinha é só um periquito que não sei por qual razão ainda nem completou as penas. Contudo, faz parte da família e alegra nossos dias com sua personalidade e movimento…

Dá uma olhadinha nela e como diz a Rebeca: “Não é uma fofa?”

Tiquinha antes e depois
Imagem de quando chegou e depois de alguns meses conosco

Camisetas customizadas

Adoro customizar minhas roupas: Transformação!

Customizei algumas camisetas usando a técnica de pathcolagem. Gostei da brincadeira e pretendo me aperfeiçoar. Meu plano é usar a mesma técnica e reproduzir o quadro O beijo de Gustav Klimt.

Que quadro maravilhoso! Bom ser beijada assim com ternura, aconchego e paixão.

Por hora, fico com minhas borboletas e flores. Dê uma paradinha nas fotos e confira.

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Fuxicando…

Fuxiquei um montão neste carnaval.  Os fuxicos me dão ideias não só para costuras e artesanato, mas para a vida…

Engraçado que fuxicar só lembra fofoca, mas não! Para mim fuxicar é costurar fuxicos. Mesmo porque enquanto fuxico, normalmente fico em silêncio ouvindo o que se passa ao redor.

Não tem graça fuxicar sozinha no atelier… até tem, mas, prazeroso mesmo é quando fuxico sentada na casa da minha mãe em Itu enquanto a família está na rede, as crianças brincando com os cachorros, minha mãe falando da vida, meu pai nos surpreendendo com palavras e ações…

Bom fuxicar quando o Lucas pega o violão, quando Bruno toca sua gaita, ou quando Rebeca conta seu dia…

Isso me fez lembrar do filme Colcha de Retalhos (título original: How to Make an American Quilt) com Wynona Ryder.

Taí uma boa ideia. Acho que farei uma colcha de fuxicos.  Com certeza a tal colcha será formada por pequenas histórias.

Experimente fuxicar um pouco…

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Ham-ham Bijou

Rebeca minha filha pesquisou incansavelmente na internet um boneco de pelúcia da série Hamtaro. Ela adora os tais bichinhos e queria comprar. Encontrou num site de vendas e feliz da vida veio me contar:

– “Mãe, só R$ 60,00!!!”  – ao que respondi:

– “Só?????”  – e ela completou:

– “É! Tá barato assim porque é usado e tem 13 centímetros!”

– “Uau!” – Pensei. Claro que para mim R$ 60,00 era um absurdo para um boneco usado ainda mais com 13 centímetros! Propus a ela uma ajuda e juntas fizemos a Bijou.

Ela abraçou a Bijou e disse que serão amigas para sempre. “Para sempre” é tanto tempo, né?

Bem, hoje terça feira de carnaval posso dizer que tive uma manhã bem aproveitada entre mãe e filha. O sorriso de satisfação estampado em seu rostinho valeu qualquer trabalho. E sabe? Não deu tanto trabalho assim.

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Necessarie

Absolutamente necessária em nossa bolsa. Fiz algumas e adorei o resultado. Elas são arredondadas e bem espaçosas. Os detalhes fiz com fuxicos e feltro e dá para tirar, pois são colocados com alfinete.

O preço é de R$ 25,00 cada. A rosa  com alça já está vendida. Aproveite e encomende a sua!

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