Argila em Oração

argila em oracao

A arte tem poder de cura. Ao produzir, o artista desconstrói a obra em sua mente para só então criar, e o que determina o processo de criação é o material que será usado.

Dia desses resolvi utilizar a argila como ferramenta de criação. Já havia usado como instrumento educacional, mas a experiência de criar uma peça eu ainda não tinha vivido.

Este é um material amplamente utilizado para terapias. Entendi porque. A textura, a temperatura, a resposta às mãos, levaram-me à sensações especiais. Planejei um objeto, mas ao colocar a massa na mesa, ela mesma já tomou a forma que de fato deveria ter.

Enquanto amassava, moldava, criava, minha mente explorava lugares esquecidos da minha alma.

Lembrei-me então de uma frase bíblica que diz: “Confessai, portanto, os vossos pecados uns aos outros, e orai uns pelos outros, para serdes curados. A súplica de um justo pode muito na sua atuação”. (Tiago 5.16)

Confessar pecados? Como posso abrir-me para as pessoas e confessar meus pecados? Fácil o exercício quando falamos do nosso maior amigo que é Deus. Confessar a ele nossos pecados nos ajuda a caminhar, mas confessar a outros?

Encontrei numa pesquisa rápida na internet o significado de confessar e entre tantas os sinônimos: dar-se e confiar. Levou-me à reflexão de que confessar meus pecados ou minhas falhas, meus defeitos a alguém, será uma ação de doação e confiança. É claro que não vou sair por aí contando meus defeitos para as pessoas, mas existem aquelas em quem realmente podemos confiar ou seja, família, e o pequeno e seleto grupo de amigos. Encontrei pela vida alguns deles, que mesmo quando confessei pecados e erros, fui acolhida com carinho. Amigos que são capazes de dizer: não importa o que você está passando, estou com você. Não importam suas fraquezas te amo simplesmente porque amo. Tive muitas decepções também, mas o que conta mesmo é que, quando encontramos um amigo verdadeiro e podemos contar sobre nós sem máscaras, o carinho recebido depois é curativo.

Enquanto esculpia na argila um ser sem rosto, mãos enormes e de joelhos em oração, desejei ser alguém assim: que acolha, que ouça, que seja confiável e que acima de tudo interceda para que o outro seja curado. O caminho para isso é o exercício tanto para a intercessão, quanto para a amizade. E a argila? Ah! Esta é apenas a minha primeira obra.

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