Archive for ‘Meus Textos’

10/06/2013

Amor de vó não se explica. Se experimenta.

Tenho ouvido muito sobre este amor ultimamente e vejo em minha mãe também. Fiz um poema para ela: Dona Rosalina. Mãe dedicada. Vó querida.

Meus filhos vêem nela um porto seguro, um lugar de apoio, de paz e segurança. A casa dela é especial. Tem cheiro, sabores, cores e sons inesquecíveis. Meu pai, em sua companhia faz deste lar um pouquinho do céu.

O dia dos avós está chegando, mas adiantei-me nesta postagem em homenagem às queridas e dedicadas vovós que conheço e que são homenageadas diariamente.

Beijo vovós, espero que gostem da poesia.

 

(Poesia de Glaucia Machado)

Na casa da minha avó é sempre festa.

Tem pipoca, tem bolinho e isso é bom à beça

Nas noites frias de inverno é quentinha

E nas tardes de verão fica bem fresquinha

Vovó conta histórias diferentes

Que não se encontram nos livros da gente

Conta histórias comoventes

E aquelas, que de tanto medo batemos os dentes

Quando caio e me machuco, me dá um abraço acolhedor

Daí me oferece um suco e logo esqueço da dor

Nossa diferença é só na idade

Porque ficar longe dela me mata de saudades.

Dizem que vó é mãe duas vezes,

Outros dizem que é mãe com açúcar…

Não sei de nada disto.

Só sei de uma coisa e insisto:

Vó é vó, sem tirar nem por

E entre mim e ela existe um grande amor.

13/09/2012

Linda Rosa

Deus poderia ter me dado uma mãe doutora, magistrada, phd, rica empresária, intelectual, uma bem sucedida escritora, artista plástica reconhecida mundialmente… Mas Deus fez mais por mim. Ele me deu a melhor mãe do mundo.

Doutora em me fazer feliz diariamente com suas palavras de incentivo, de cooperação, de compreensão.

É ela quem me ensina o que é a vida, o que é saber viver.

Aprendi com ela o cuidado e carinho com os filhos, a importância de dedicar meu tempo a eles, fazer deles minha prioridade enquanto crescem, porque o tempo passa rápido e daqui a pouco já andam com as próprias pernas.

Foi com ela que aprendi a importância dos três erres: Reduzir, Reutilizar, Reciclar. Criativa por excelência cria objetos de arte de materiais inusitados, imprevisíveis e esquisitos.

Aproveitar sua companhia é um prazer. Sua comida é a mais cheirosa, sua casa a mais aconchegante. Quando está feliz, envolve a todos nós que, mesmo estando em algum dia ruim, sucumbimos às suas gargalhadas que celebram as coisas simples da vida.

Amo tudo o que faz.

Escreve e conta histórias. Foi com ela que aprendi esta arte tão delicada e especial.

Foi também com seu exemplo absoluto que aprendi a valorizar e cuidar da natureza e dos animais. “Deus nos ordenou cuidar bem deles” – é o que me ensina com suas palavras e ações.

Hoje, ao olhar um email que recebi dela cujo assunto era: Foto dos meus amigos. Chorei de saudade, de alegria e de orgulho. As fotos eram de dois pintinhos e um galinho nanico, seus mais recentes amigos. Só alguém com muita sensibilidade e proximidade com Deus tem tanto amor a oferecer. O galinho cujo nome é Facebook (isso mesmo!), transformou-se num pet. Sobe no colo da minha mãe, cuida dos menores e alegra o jardim.

Ultima vez que estive em sua casa, às 5h30 da manhã mais ou menos, Facebook começou a cantar. Um canto rouco, suave e cativante. Minha mãe se desculpou no café da manhã porque Facebook acorda tão cedo… “Puxa vida!  É bom demais acordar com o som dele, mãe. Difícil mesmo foi agüentar o Bruno (meu marido) na minha orelha imitando-o”.

Brincadeiras à parte, essa é minha mãe Rosalina. Uma Linda Rosa escolhida por Deus para viver no meu jardim.

Me curvo à sua sabedoria de doutora em viver…

Te amo mãe!

Segue fotos de sua casa e algumas de suas flores.

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Quer ouvir o canto do Face?

28/02/2012

Eu, aos quarenta e um

De vez em quando olho-me no espelho e procuro a mulher que eu era aos vinte anos. Tem dias que encontro, tem dias que não.

Meu corpo já não é mais o mesmo. Gerei dois filhos e amamentei-os. A mais nova até os dois anos. Estar comigo era importante para ela. Grudava em mim aproveitando a companhia o máximo que podia. Na época eu já era regente de corais. Eu a amamentava antes, mas, de vez em quando no meio do ensaio surgia uma pausa porque solicitava minha presença. Apesar disso é independente e decidida. Minha presença em sua vida é importante, porém, tem clareza do que quer e quando quer.  O mais velho aos 10 meses decidiu por conta própria que não queria mais ser amamentado por mim.  Numa manhã olhou-me e fez que não com a cabecinha. Era o tempo dele, tinha coisas mais importantes para viver, para descobrir. De vez em quando, nem percebo que cresceu e lhe ofereço ajuda em algo, olha para mim e diz: “Não mãe. Isso não quero mais”. E vai descobrindo seu caminho e fazendo sua história.

E a história dos meus filhos se mistura, se confunde, se funde na minha. Talvez por isso é que só de vez em quando que encontro a mulher que eu era aos vinte anos.

Engordei bastante nos últimos anos. Dez quilos acima do meu peso e o corpo não entende a pressa que minha mente tem em querer emagrecer… é aí que não me encontro aos vinte anos… Entretanto, quando tais pensamentos invadem minha mente, lembro-me do quanto sou feliz independente do meu peso ou das marcas e rugas que adquiri na vida.

Engraçado como nossas prioridades mudam com o tempo. Lembro-me de quando era adolescente e me entristecia o fato de ser muito branca. Envergonhava-me em usar bermudas e regatas… olhava e nada via de especial, pelo contrário, só via minha cor. Um dia um amigo negro me disse o quanto sofria por causa do preconceito. Olhei para ele sorrindo e disse: “e você acha que eu não?” Outro dia fiz um teste com uma amiga professora: Ela, professora de artes me falava da importância da cultura afro, o assunto claro, levou-nos inevitavelmente a relatos de sua própria experiência por ser negra. Eu ouvi atentamente já me preparando para o desfecho de nossa conversa. Depois que terminou, levantei a barra da minha calça e aproximei minha perna da dela. Ao que ela reagiu: “Credo! Como você é branca!”.

Ouvi alguém dizer que para saber a idade de alguém é só olhar para suas mãos. Puxa vida! Acho que tenho mais de quarenta e um! Minhas mãos estão enrugadas e manchadas. Tem também algumas cicatrizes… cada uma com sua história. Mas quanta produção! Não produzia aos vinte nem metade do que produzo hoje. Foram as minhas mãos que cozinharam para minha família, foram minhas mãos que lavaram suas roupas, que limparam a casa, mas também as mesmas mãos que tocam um instrumento (ou vários), mãos que regeram tantos corais, as mesmas que acariciam aqueles a quem amo, que me permitem viver sem dificuldades. Definitivamente não quero ter as mãos que eu tinha aos vinte anos.

Ontem pintei meus cabelos.

Já pinto há muitos anos, mas, confesso que essa decisão foi tomada depois de muita reflexão. Tenho mais de quarenta… cabelos brancos, rugas no rosto. Já vivi um bocado e ao mesmo tempo tão pouco! Mas gosto de mim assim como estou. Estou feliz comigo e com as marcas que o tempo gravou, com as cicatrizes que a vida tatuou em mim. Os cabelos brancos são uma parte disto… Queria muito deixar de pintá-los, mantê-los naturais… só que não consegui. Rendi-me a apelos do tipo: “Não deixe de pintar! Seus cabelos vermelhos são a sua marca”. E hoje, com o sol brilhando em São Paulo, de cabelos pintados, ao buscar meus filhos na escola, quando o mais velho saía da sala de aula olhou para mim sorrindo: “Agora sim, mãe, te reconheço de longe”.

Gostaria muito que todas as mulheres pudessem compreender estas pequenas particularidades da vida. A ditadura da moda não pode nos engolir. Não podemos perder o melhor que temos: nossa individualidade.

Nossa história está tatuada em nosso corpo naturalmente. E nossa história, mesmo aqueles momentos difíceis da vida como um divórcio – quanta dor e sofrimento uma separação causa – está gravada na nossa alma, guardada em algum canto da nossa mente, talvez no “quarto do mistério” como diz Rubem Alves.

Mas a vida renasce a cada dia. O sol todas as manhãs nasce, e Deus renova suas misericórdias. E a gente encontra algo que nos faz rejuvenescer, como um novo amor, sem perder a clareza de que mesmo muito se renovando não dá para esconder embaixo do tapete ou no esquecimento o que ficou para trás.

É! Sigo assim então… aos quarenta e um anos, feliz da vida e de cabelos vermelhos.

Carpe diem

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27/02/2012

Tiquinha

Lembra do Tiquinho? Contei como ele veio morar em nossa casa:

“Fui adotada por um passarinho“,

e dei notícias sobre ele:
“As peninhas do Tiquinho“.

Recentemente Tiquinho passou por exames e além das medicações necessárias, o exame de dna foi feito e descobrimos que Tiquinho na verdade é Tiquinha.

É claro que eu já imaginava. Ela é mandona, tagarela, temperamental, quer cuidar da vida de todo mundo, ciumenta, mas muito doce. Só podia ser fêmea!

Fica solta, porém, só sai da gaiola quando quer. Fica empuleirada na porta da gaiola e de lá ela vê o movimento da casa e consegue “ter controle” de tudo o que acontece.  Se extressa quando sentamos em família e não lhe damos atenção. Quando falo ao telefone resolve que quer participar da conversa e grita feito uma maluca! Essa é a Tiquinha.

Noutro dia, ela saiu da gaiola e foi visitar o Holly. Ele gosta dela e até já presenciei uns beijinhos. Mas ela passou dos limites. Quando ele abaixou a cabeça para receber um carinho, ela o bicou. Ah! Sem dúvida alguma Holly deu-lhe um tapa e segurou-a embaixo da pata. Ela gritou e esperneou… ainda bem que eu estava presente para salvá-la. O resultado é que não posso deixá-la com ele mais, não sei o que pode acontecer.

Em visita, minha mãe comentou o quanto Tiquinha é suja. O rabo então, tem dias que fica preto! Mas o fato é que ela gosta de um vaso sem plantas de fibra de coco que ela gosta tanto que resolvi deixar vazio. Lá ela brinca e rola na terra, bica o vaso e vigia a casa…

Tinquinha é só um periquito que não sei por qual razão ainda nem completou as penas. Contudo, faz parte da família e alegra nossos dias com sua personalidade e movimento…

Dá uma olhadinha nela e como diz a Rebeca: “Não é uma fofa?”

Tiquinha antes e depois

Imagem de quando chegou e depois de alguns meses conosco

02/10/2011

As peninhas do Tiquinho

Tiquinho está crescendo pouco a pouco e suas peninhas também.

As peninhas do Tiquinho


Já está acostumado com nossa presença e nossas mãos. Quando quer “socorro” nos permite ajudar.
Adorou a árvore da felicidade da sala. Acho que solto mesmo dentro do apartamento se sente mais pássaro.

O Holy e a Moly ficaram curiosos com a presença do novo morador. Mas é engraçado ver o olhar de coelhos para um passaro. Apenas curiosidade, bem longe do olhar de um predador.

Tenho refletido um pouco sobre a vida de um passarinho em nossa casa. Ele é tão pequeno e tão frágil mas nos traz tanta alegria! Ele é pequeno, mas é obra do Criador.

Devagarinho estamos aprendendo a cuidar dele. Aos poucos vai nos contando suas necessidades. Sei que soltá-lo na natureza não é possível, então vamos por aqui em família trabalhando para que ele seja feliz…

12/09/2011

Fui adotada por um passarinho

Tiquinho


Na semana retrasada estive em Salto para ver alguns imóveis – tenho muita vontade de me mudar para o interior, vontade compartilhada com minha família. Pois bem, paramos numa loja de animais a pedido da minha mãe. Incrível!!!! Lá estava o Tiquinho. Cabeça baixa, olhos tristes, pescoço pelado… eu diria que, um passarinho que de tão feio me encantou.

Durante o tempo que ficamos na loja eu não conseguia parar de olha-lo. Parecia olhar para mim pedindo socorro. Falei para meu marido do meu desejo de compra-lo, mas não fui ouvida prontamente, pelo contrário:

– Sério???? Tem certeza??? Não quero passarinho agora.

Mas o Tiquinho continuava olhando para mim. Perguntei à vendedora porque ele era tão pelado e feio, ao que me respondeu:

– “Ah! Ele é novinho”.

Resultado: saímos da loja sem o Tiquinho e eu sem um pedaço do meu coração.

Quando chegamos em Itu, cidade da minha mãe, meu marido sentiu-se incomodado por ter recusado a adoção do Tiquinho (que confusão! Quem adotou quem???)…. Bem, mas não havia tempo. Era domingo e a loja já havia fechado. Voltaríamos para São Paulo poucas horas mais tarde e fim da história.

Entretanto, Tiquinho não saiu da minha cabeça.

Logo na segunda feira pela manhã, liguei para minha mãe pedindo que fosse busca-lo. Ela comprou a gaiola e deixou tudo arrumadinho para a chegada do novo morador. E me ligou perguntando se eu não queria comprar um periquito em qualquer loja, porém, não servia qualquer um tinha que ser o Tiquinho…

Na quinta feira pela manhã meus pais voltaram para Salto em busca do meu amigo. Nem saberiam como encontra-lo porque teoricamente passados alguns dias as penas já teriam crescido, portanto estaria diferente. Mas, em toda a minha vida vi meus pais terem atitudes como essa – eles são o máximo! – Não sabiam se encontrariam o Tiquinho, porém, eles tentaram, principalmente por mim.

Quando chegaram à loja encontraram o Tiquinho ainda mais pelado e doente. A dona da loja recusou a venda dizendo que o pássaro iria morrer. Podia vender outros periquitos, mas não aquele que estava condenado. Minha mãe saiu da loja e no caminho de volta para casa me ligou. Pedi a ela que insistisse. Era o Tiquinho que eu queria, mesmo que morresse não havia problema, eu precisava adota-lo. Voltando a loja, minha mãe insistiu na compra. A vendedora disse que o irmão do Tiquinho era quem cuidava dele por estar fraco demais. Compramos então os dois.

Tudo certo. Assim que chegaram em Itu, os dois irmãos juntos foram colocados na nova casa. Mas, qual não foi a surpresa! Era o irmão que agredia o Tiquinho. Claro que só alguém com olhar clínico para animais como minha mãe poderia descobrir isso.

Primeiramente era só uma desconfiança, mas ouvindo sua intuição, minha mãe sentou-se de frente para a gaiola e esperou, esperou, esperou. Até que desvendou o mistério. Viu a agressão e teve a prova que precisava: o agressor era o irmão.

Foram imediatamente separados. Tiquinho assim que se viu livre do agressor começou a comer e ficar mais forte.

Já se passaram duas semanas e hoje ele está comigo. Quero muito que ele seja feliz por aqui. Pretendo treina-lo para viver solto aqui em casa sem, contudo cortar-lhe as asas. Por nascer em cativeiro, sei que suas chances de vida na natureza são bem pequenas. Mas espero poder ajuda-lo a ser feliz.

Meu coração se enche de alegria porque agora existe uma grande expectativa de vida para o Tiquinho.

A experiência é ótima! Fui de fato adotada por um passarinho.

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