História de Godofredo

Godofredo no jardim

Um de meus trabalhos é a contação de histórias. Faz parte da minha vida. Minha mãe é contadora de histórias e cresci vivenciando cada palavra sua.

Mas a história que contarei agora não é ficção ou fruto da minha imaginação. É real e aconteceu há pouco tempo.

Meus pais moram em Itu, cidade do interior de São Paulo. São apaixonados pela natureza e por animais. Têm três cachorras que são cães de guarda na presença de estranhos, porém, carinhosas com a família. O quintal tem um jardim não muito grande, mas com frutas deliciosas, flores e perfumes especiais.

O sonho de minha mãe era ter um sapo. Poisé! Gente estranha, né? Mas ela queria um sapo no jardim, para desespero da minha irmã Keila que odeia do fundo da alma. Ela diz que o sapo não é de Deus… coitado!

Pois bem… um belo dia, enquanto limpava o jardim, minha mãe levantou um prato de vaso… esse da foto e qual não foi a surpresa! Lá estava ele. Enorme, gordo e satisfeito.

Digo satisfeito porque Godofredo – claro que ganhou um nome rapidamente – passou a viver na casa como um membro da família. Tomava banho na água das cachorras, às vezes até comia da ração! E tinha também sua própria água.

Acostumamos com a presença de Godofredo que viveu no jardim durante muito tempo. Não gostava muito de posar para fotos, consegui este ângulo por sorte.

Mas… Godofredo queria mais. Foi ficando íntimo da família e o jardim já não era o limite. Resolveu que queria morar dentro de casa.

Ele entrava, meu pai colocava de volta no jardim. Depois de um tempo, já estava Godofredo dentro de casa novamente.

A coisa toda foi ficando “ensopada” quando Godofredo resolveu que queria dormir no quarto. Qual não foi a surpresa de minha mãe quando o sapo foi pego subindo as escadas para os dormitórios.

Aí já era demais!

Minha mãe teve uma longa conversa com Godofredo enquanto o levava para um rio próximo à sua casa. E ela explica o teor da conversa:

– “Godofredo, já está na hora de você ir embora e constituir família. Sua vida em nossa casa foi muito especial, mas já não podemos admiti-lo conosco”; gente estranha, eu sei.

A despedida foi triste, mas necessária.

Não sabemos como está Godofredo, provavelmente bem feliz na beira do rio, e a lembrança dele nos traz alegria.
É estranho pensar que era só um sapo porque para nós era o Godofredo! Alguém especial, não como uma pessoa é claro, porém, sua história fez parte da nossa e marcou nossas vidas.

Em homenagem a ele fiz o Godofredo. Espero que vocês gostem.

Beijo

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